Uma pesquisa publicada no Journal of the Acoustical Society of America, em 2025, analisou parâmetros vocais de brasileiros infectados pelo coronavírus e comparou com indivíduos saudáveis, revelando diferenças significativas na frequência fundamental (fo) e na variação dessa frequência (foSD). O estudo avaliou 100 pacientes com sintomas leves a graves de COVID-19 e 100 voluntários saudáveis, todos falantes de português brasileiro. Para todas as amostras, os participantes pronunciaram a mesma frase de 31 sílabas, e as gravações foram divididas em quatro faixas etárias.
Os resultados mostraram que as vozes de pacientes com COVID-19 apresentaram fo e foSD mais elevados do que as vozes do grupo controle. Além disso, entre os pacientes, idade e sexo influenciaram os valores de foSD, sendo que mulheres e indivíduos mais velhos apresentaram alterações mais acentuadas. Isso indica que as vozes desses pacientes tendem a ser mais agudas e a apresentar maior variação na frequência vocal.
Segundo os autores, os parâmetros relacionados à frequência fundamental podem servir como biomarcadores vocais para triagem de insuficiência respiratória em pacientes com sintomas graves de COVID-19.
Vale ressaltar que esse estudo faz parte do SPIRA-BM (Sistema de Detecção Precoce de Insuficiência Respiratória por Análise de Biomarcadores de Voz), projeto voltado ao desenvolvimento de soluções inovadoras para análise de voz na detecção de alterações respiratórias.
Assinam esse artigo os pesquisadores Larissa Cristina Berti, Evelyn Alves Spazzapan, Marcelo Queiroz, Pedro Leyton Pereira, Flaviane Romani Fernandes-Svartman, Beatriz Raposo de Medeiros, Marcus Vinícius Moreira Martins, Letícia Santiago Ferreira, Ingrid Gandolfi Gomes da Silva, Ester Cerdeira Sabino, Anna Sara Levin e Marcelo Finger.
Para acessar o trabalho completo, visite o Journal of the Acoustical Society of America
