O tabagismo voltou a chamar atenção no Brasil pelo impacto econômico e pelo crescimento recente no número de fumantes. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país gasta cerca de R$ 153 bilhões por ano com doenças relacionadas ao consumo de derivados do tabaco. Desse total, R$ 67,2 bilhões correspondem a custos diretos de tratamento no sistema de saúde. Outros R$ 86,3 bilhões se referem à perda de produtividade por incapacidades e mortes prematuras.
O Ministério da Saúde destaca que para cada real de lucro obtido pela indústria do tabaco o Brasil desembolsa cinco reais para lidar com os efeitos da dependência. O alerta acompanha um cenário preocupante. Uma pesquisa preliminar citada pela Agência Brasil indica que, pela primeira vez em 20 anos, o número de fumantes aumentou nas capitais.
A proporção de adultos fumantes subiu de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, um crescimento de 25 por cento em apenas um ano. Especialistas relacionam essa alta à expansão de cigarros eletrônicos e dispositivos similares.
O avanço do tabagismo e os custos crescentes reforçam a importância de iniciativas capazes de melhorar o monitoramento da saúde respiratória. O Projeto Temático SPIRA-BM, desenvolvido por pesquisadores da USP, UNESP, dentre outras instituições, investiga como a análise de voz captada pelo celular pode ajudar a identificar biomarcadores associados ao tabagismo (além de outras condições respiratórias)
Uma das linhas de pesquisa busca estimar o nível de monóxido de carbono exalado, indicador diretamente ligado ao consumo recente de cigarro. A proposta é oferecer ao fumante um acompanhamento contínuo e acessível que funcione como reforço no processo de cessação.
Os pesquisadores do projeto apontam que tecnologias de monitoramento remoto podem reduzir internações e complicações relacionadas ao tabaco, além de ampliar o acesso a estratégias de prevenção. O SPIRA-BM reúne especialistas de computação, medicina, fonoaudiologia e outras áreas para desenvolver modelos capazes de analisar alterações sutis na fala e relacioná-las a comportamentos de risco. A iniciativa segue uma tendência global que aposta na inteligência artificial para apoiar decisões clínicas, fortalecer o cuidado primário e diminuir desigualdades no atendimento.
Em um país que enfrenta aumento no número de fumantes e impacto econômico crescente, soluções baseadas em dispositivos móveis aparecem como alternativas concretas para apoiar a saúde pública. O trabalho do SPIRA-BM se insere nesse movimento ao propor ferramentas que podem ajudar a detectar riscos de forma precoce e contribuir para estratégias de prevenção mais eficazes.
