A insuficiência respiratória permanece como uma das principais causas de internações hospitalares e mortes no Brasil. De acordo com o DATASUS, em 2021 foram registradas 831.933 internações por doenças respiratórias em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a pneumonia responsável por mais da metade desses casos. Asma, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) também figuram entre as principais causas de hospitalização, mostrando a magnitude do impacto dessas doenças no sistema público de saúde.
O Ministério da Saúde informa que, no mesmo ano, 28.769 pacientes morreram em hospitais do SUS devido a doenças respiratórias, evidenciando a necessidade de detecção precoce e monitoramento contínuo. Relatórios do ministério mostram que, durante a pandemia de Covid-19, houve redução das internações por doenças respiratórias não relacionadas ao coronavírus, mas aumento da mortalidade hospitalar entre os pacientes internados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, que têm menor cobertura de serviços especializados.
Spira BM: tecnologia brasileira para o cuidado respiratório
O Spira BM é um projeto de pesquisa que desenvolve biomarcadores de áudio para identificar sinais precoces de insuficiência respiratória, estimar efeitos do tabagismo e prever exacerbações em pessoas com asma grave. O projeto combina processamento de sinais acústicos, inteligência artificial e gravações de áudio por dispositivos móveis, criando uma solução acessível e de baixo custo.
O programa atua em três linhas clínicas: insuficiência respiratória, tabagismo e asma grave, e se organiza em quatro eixos transversais: coleta de dados, engenharia de software, análise acústica e aprendizado de máquina. A validação clínica dos biomarcadores é fundamental para garantir que possam ser aplicados de forma segura na prática assistencial.
Por que biomarcadores de áudio são promissores
No Brasil, exames avançados de diagnóstico respiratório estão concentrados em centros urbanos, dificultando o acesso em regiões remotas. O uso de biomarcadores de áudio coletados por celular permite ampliar a cobertura da triagem e reduzir custos, sem comprometer a qualidade da avaliação.
O monitoramento periódico da voz dos pacientes possibilita intervenções mais rápidas, prevenindo agravamento de sintomas e internações. A coleta é não invasiva, simples e capaz de detectar alterações sutis no funcionamento respiratório que podem passar despercebidas em exames clínicos tradicionais, conforme protocolos de pesquisa clínica apoiados por instituições públicas como a Fiocruz.
Impacto esperado para a saúde pública
A insuficiência respiratória segue como um desafio crítico para a saúde pública no Brasil. Caso os biomarcadores do Spira BM sejam validados e implementados, o país poderá contar com uma ferramenta de triagem precoce, monitoramento contínuo e acompanhamento clínico de baixo custo, capaz de reduzir internações e mortes por doenças respiratórias.
O projeto representa uma convergência entre ciência, tecnologia e necessidade social, oferecendo uma alternativa que democratiza o acesso ao cuidado respiratório e fortalece a capacidade de prevenção e intervenção precoce em todo o país.
