Atualização da GINA traz critérios mais objetivos para ajudar pediatras a diferenciar asma de outras condições respiratórias comuns na primeira infância
A Global Initiative for Asthma (GINA) publicou em 2025 uma diretriz que redefine como a asma deve ser diagnosticada em crianças menores de cinco anos. A mudança é considerada um marco por especialistas, já que até então o diagnóstico nessa faixa etária era frequentemente incerto. Isso acontecia porque bebês e pré-escolares apresentam episódios de chiado recorrentes, muitas vezes provocados por infecções virais comuns, o que confundia médicos e famílias.
Critérios mais claros para a primeira infância
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a asma é uma das doenças crônicas mais frequentes na infância e uma das principais causas de atendimento emergencial. No Brasil, entidades médicas estimam que até um quinto das crianças possa apresentar sintomas relacionados à doença. Até recentemente, porém, faltavam parâmetros específicos para avaliar corretamente os menores de cinco anos.
A nova diretriz estabelece três elementos centrais para o diagnóstico. O primeiro é a presença de chiado recorrente ou de ao menos um episódio de chiado acompanhado de sintomas clássicos de asma, como tosse que surge ao rir, chorar, dormir ou fazer esforço. O segundo é a exclusão de outras condições que possam causar sintomas semelhantes, como infecções frequentes ou alterações estruturais das vias aéreas. O terceiro é a observação de melhora clínica após o uso de medicações para asma, como broncodilatadores ou corticosteroides inalatórios.
Especialistas apontam que esses parâmetros ajudam a reduzir tanto diagnósticos excessivos quanto a falta de reconhecimento de casos reais. Como exames de função pulmonar ainda não são facilmente aplicáveis nessa idade, a definição clínica passa a ter papel fundamental. Com critérios padronizados, os profissionais podem tomar decisões com maior segurança e orientar melhor as famílias.
Impacto para crianças, famílias e serviços de saúde
A mudança traz consequência direta para o cotidiano de consultórios e emergências pediátricas. Crianças que antes eram tratadas como “suspeitas de asma”, sem confirmação, passam a ter um caminho mais claro para o diagnóstico. Isso significa início de tratamento mais precoce, possibilidade de controle adequado e redução do risco de crises graves.
Para as famílias, a diretriz ajuda a entender quais sinais devem motivar procura por avaliação médica. Episódios recorrentes de chiado, dificuldade respiratória ou tosse persistente deixam de ser vistos como eventos isolados, podendo representar um quadro real de asma que precisa ser acompanhado. Na saúde pública, a padronização facilita a organização do cuidado e o planejamento de políticas que contemplem a realidade respiratória da primeira infância.
O alinhamento internacional também favorece a comparação entre estudos e a realização de pesquisas clínicas mais consistentes, já que pacientes passam a ser classificados de forma mais homogênea. Isso é especialmente relevante para países com grande diversidade social e geográfica, como o Brasil, onde o acesso a exames e especialistas é desigual.
Conexão com inovação brasileira e o projeto SPIRA-BM
O avanço da GINA abre espaço para o fortalecimento de soluções tecnológicas aplicadas ao diagnóstico e monitoramento da asma. Projetos de inteligência artificial que utilizam sinais de áudio, como o SPIRA-BM, ganham ao contar com critérios clínicos mais bem definidos. Quanto mais sólido for o diagnóstico dos pacientes usados para treinar algoritmos, mais confiáveis serão as ferramentas desenvolvidas.
O SPIRA-BM investiga biomarcadores de áudio para condições respiratórias utilizando aprendizado de máquina e análise acústica. O projeto busca desenvolver sistemas móveis capazes de coletar gravações, reconhecer padrões associados a insuficiência respiratória, efeitos do tabagismo e asma grave, e futuramente apoiar profissionais em ambientes clínicos. Em crianças pequenas, que têm limitações para realizar exames tradicionais, tecnologias baseadas em áudio podem se tornar aliadas importantes na detecção precoce de problemas respiratórios.
Ao integrar pesquisa clínica e inteligência artificial, o SPIRA-BM pretende oferecer uma alternativa prática, barata e acessível para a população brasileira. A nova diretriz da GINA contribui para esse avanço ao fornecer uma base diagnóstica mais robusta, essencial para o desenvolvimento de ferramentas de saúde digital.
