Uma das frentes do projeto temático SPIRA-BM analisa como sintomas e comorbidades da asma grave podem estar associados a alterações vocais
A linha de pesquisa em Asma Grave do projeto temático SPIRA-BM vem se dedicando a entender como se manifestam os biomarcadores da doença a partir da análise da voz de pacientes com essa condição. Para tanto, eles coletam a fala de pessoas, sobretudo, no Hospital das Clínicas de São Paulo. A iniciativa é conduzida pelo pesquisador associado ao projeto Celso Ricardo Fernandes de Carvalho, Doutor pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em parceria com seus orientandos de pós-graduação e iniciação científica.
Celso conta que se aproximou do projeto após conhecer o Estudo SPIRA, que antecedeu o atual SPIRA-BM. Interessado em discutir o papel de biomarcadores em pacientes com asma, foi convidado a elaborar e integrar o projeto temático, assumindo a linha dedicada à asma grave. Com o tempo, o grupo passou a contar com o mestrando Yan Anderson Pires de Oliveira e, posteriormente, com os bolsistas de iniciação científica Mariana Lopes Pestana e Victor dos Santos Silva.
A partir da aprovação do projeto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, (FAPESP), a equipe iniciou a fase de coleta de dados, após um período de capacitação conduzido por pesquisadoras do próprio projeto, mais precisamente Larissa Cristina Berti e Flaviane Romani Fernandes Svartman. O treinamento foi voltado à padronização dos parâmetros, procedimentos e ao cuidado na análise das gravações. Segundo o grupo, o processo exige atenção a detalhes técnicos que não podem ser reduzidos à simples aplicação de ferramentas automatizadas.
As coletas de voz já acumulam mais de 400 registros de falas de pacientes, sendo que já nesta etapa os pesquisadores observam que a asma não se manifesta de maneira uniforme, pois envolve diferentes perfis clínicos e pode estar associada a múltiplas comorbidades. Aliás, essa diversidade também pode repercutir na forma como a voz é produzida.
O protocolo das coletas inclui, por exemplo, o registro de dados clínicos, a captação do som ambiente, a emissão de vogal sustentada e a leitura de uma frase padronizada. Vale frisar que todos os participantes assinam termo de consentimento, sendo que tanto a coleta quanto a análise estatística seguem critérios éticos e metodológicos rigorosos.
Para este semestre, o foco do grupo está na organização e sistematização dos dados já coletados. “O que vai nos consumir agora nesse primeiro semestre é ter uma planilha com todos os dados do paciente para que a gente possa fazer uma análise mais profunda”, explica Celso. A intenção é responder a duas questões principais: “primeiro, se tem um sintoma que é mais detectável a variação da voz. E a segunda é se tem uma comorbidade” associada às alterações vocais. A partir desse cruzamento de informações, o grupo busca avançar na compreensão da asma grave e de suas diferentes manifestações.
Vale destacar que além da Asma Grave, o projeto SPIRA-BM ainda possui outras frentes de investigação, mais precisamente as demais linhas de pesquisa em torno da insuficiência respiratória e dos efeitos do tabagismo.
