{"id":759,"date":"2026-03-04T14:17:04","date_gmt":"2026-03-04T17:17:04","guid":{"rendered":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/?p=759"},"modified":"2026-03-04T14:17:07","modified_gmt":"2026-03-04T17:17:07","slug":"quem-faz-o-spira-flaviane-romani-fernandes-svartman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/2026\/03\/04\/quem-faz-o-spira-flaviane-romani-fernandes-svartman\/","title":{"rendered":"Quem faz o SPIRA &#8211; Flaviane Romani Fernandes Svartman"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quem faz o SPIRA<\/strong> destaca a trajet\u00f3ria da professora Flaviane Romani Fernandes Svartman, docente associada da Universidade de S\u00e3o Paulo, com forma\u00e7\u00e3o em Lingu\u00edstica pela Unicamp, onde tamb\u00e9m realizou doutorado e p\u00f3s-doutorado, al\u00e9m de est\u00e1gio na Universidade de Lisboa e livre-doc\u00eancia pela USP. Pesquisadora com atua\u00e7\u00e3o em fonologia, fon\u00e9tica e pros\u00f3dia do portugu\u00eas, \u00e9 bolsista de produtividade do CNPq e integra o projeto a partir de sua experi\u00eancia na interface entre linguagem e tecnologia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No SPIRA, Flaviane contribui especialmente com a an\u00e1lise das pausas e dos padr\u00f5es gramaticais da fala como poss\u00edveis biomarcadores de condi\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias. Na entrevista, ela comenta sua entrada no projeto durante a pandemia, os principais achados relacionados \u00e0 COVID-19 e \u00e0 asma e os desafios lingu\u00edsticos envolvidos na constru\u00e7\u00e3o de ferramentas de apoio ao diagn\u00f3stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Professora, como se deu a sua entrada no projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi muito interessante a minha entrada no SPIRA, porque ocorreu em plena pandemia da COVID-19. Naquele contexto, eu j\u00e1 atuava como pesquisadora colaboradora do C4AI (Center for Artificial Intelligence), trabalhando com a \u00e1rea de pros\u00f3dia voltada para ferramentas computacionais, como transcritores de fala e sintetizadores. O Marcelo Finger tamb\u00e9m j\u00e1 atuava no centro, na \u00e1rea de escrita, e eu o conhecia h\u00e1 bastante tempo. Durante a pandemia, ele percebeu que havia algo a ser analisado na voz e na fala dos pacientes, sugerindo um mapeamento desses aspectos em termos computacionais. Como sou linguista, ele me chamou para participar do estudo. Eu aceitei a proposta, mas j\u00e1 destaquei que precisar\u00edamos de um time maior. Sou da \u00e1rea da fonologia, especializada em som, por\u00e9m tamb\u00e9m precis\u00e1vamos, por exemplo, de um conhecimento mais t\u00e9cnico nas \u00e1reas de fon\u00e9tica ac\u00fastica e fonoaudiologia. Ele concordou com a ideia e, aos poucos, montamos a equipe do ent\u00e3o projeto regular, antes de termos o projeto tem\u00e1tico. Nessa fase, contribu\u00ed especialmente para formar o time do chamado <em>small data<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que mais chamou a sua aten\u00e7\u00e3o nas particularidades do SPIRA?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vou te dizer que o SPIRA entrou como um presente na minha vida, pois com ele passei a ter uma possibilidade concreta de contribuir efetivamente, como linguista, com a sociedade, sobretudo em um momento t\u00e3o imprescind\u00edvel e ca\u00f3tico da humanidade, que foi a pandemia da COVID-19. A possibilidade de desafogar o contato presencial entre pacientes e equipes de sa\u00fade com uma ferramenta como essa apareceu como uma grande contribui\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da \u00e1rea da Lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Assim que o SPIRA se tornou um projeto tem\u00e1tico, quais foram as suas primeiras a\u00e7\u00f5es como integrante do grupo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio do projeto tem\u00e1tico envolveu pensar e elaborar um protocolo de an\u00e1lise para essa pesquisa ampliada, para al\u00e9m do que j\u00e1 t\u00ednhamos identificado em torno dos marcadores da COVID-19. Come\u00e7amos a olhar, por exemplo, para aspectos como a pausa na fala como um correlato de outras condi\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, como a asma. Basicamente, passei a refletir com meus colegas sobre como definir esses par\u00e2metros de forma comparativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>At\u00e9 o momento, a pesquisa j\u00e1 permite identificar diferen\u00e7as importantes entre a fala e diferentes condi\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que observamos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pausas \u00e9 que existe uma linha de continuidade. Por exemplo, na COVID temos resultados mais exacerbados, com pausas maiores e mais marcadas em compara\u00e7\u00e3o ao grupo controle. Al\u00e9m disso, os lugares em que as pausas se inserem na fala de pacientes com COVID n\u00e3o coincidem com a gram\u00e1tica do portugu\u00eas brasileiro, como ocorre no grupo controle. No caso da asma, esses aspectos ficam em uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria. N\u00e3o h\u00e1 grandes diferen\u00e7as quanto ao local de inser\u00e7\u00e3o das pausas entre o grupo controle e os pacientes com asma. J\u00e1 a dura\u00e7\u00e3o das pausas em pessoas com asma \u00e9 um pouco maior do que no grupo controle, mas est\u00e1 longe de ser t\u00e3o exacerbada quanto nos pacientes com COVID.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como ocorre atualmente a sua rotina como pesquisadora do SPIRA?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto se organiza em dois grandes grupos: o <em>big data<\/em>, formado pelo pessoal da computa\u00e7\u00e3o, e o <em>small data<\/em>, do qual fa\u00e7o parte. Al\u00e9m das reuni\u00f5es quinzenais com toda a equipe do SPIRA, temos encontros espec\u00edficos do <em>small data<\/em>. A partir das an\u00e1lises que discutimos, j\u00e1 planejamos trabalhos para apresenta\u00e7\u00e3o em congressos e publica\u00e7\u00e3o em revistas cient\u00edficas. Com o tempo, esperamos que os dados de voz e fala sejam incorporados pelo pessoal do <em>big data<\/em>, com o objetivo de desenvolver, quem sabe, um software de aux\u00edlio ao diagn\u00f3stico dessas condi\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias. Sempre ressaltamos que o diagn\u00f3stico \u00e9 feito pela equipe m\u00e9dica; a intelig\u00eancia artificial entra como ferramenta de apoio nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando nas variedades dialetais do portugu\u00eas brasileiro, as diferen\u00e7as de sotaque poderiam impactar os resultados da an\u00e1lise da voz e da fala entre pacientes e grupo controle?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Partindo da ideia de que existe uma macrogram\u00e1tica do portugu\u00eas brasileiro, entendemos que h\u00e1 um padr\u00e3o de gram\u00e1tica pros\u00f3dica que independe das variedades dialetais. Evidentemente, existem diferen\u00e7as em um n\u00edvel mais fon\u00e9tico de realiza\u00e7\u00e3o. No entanto, h\u00e1 padr\u00f5es mais espec\u00edficos que nos permitem dizer que se trata de portugu\u00eas brasileiro, e n\u00e3o de outras variedades da l\u00edngua, como as de Portugal ou de regi\u00f5es da \u00c1frica. A pr\u00f3pria concep\u00e7\u00e3o de uma ferramenta para o nosso projeto prev\u00ea que ela d\u00ea conta, antes de tudo, do portugu\u00eas brasileiro, mesmo considerando as diferen\u00e7as internas dessa l\u00edngua.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem faz o SPIRA destaca a trajet\u00f3ria da professora Flaviane Romani Fernandes Svartman, docente associada da Universidade de<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":760,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"post_badge":[],"class_list":["post-759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"thumbnail":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110-300x300.jpg",300,300,true],"medium_large":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"large":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"1536x1536":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"2048x2048":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110-12x12.jpg",12,12,true],"morenews-featured":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"morenews-large":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110.jpg",469,469,false],"morenews-medium":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/FernandesSvartman_fotografia20210110-469x410.jpg",469,410,true]},"author_info":{"info":["spira.bm"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/category\/noticia\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcia<\/a>","tag_info":"Not\u00edcia","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=759"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":761,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/759\/revisions\/761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/760"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=759"},{"taxonomy":"post_badge","embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/post_badge?post=759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}