{"id":784,"date":"2026-03-30T09:09:17","date_gmt":"2026-03-30T12:09:17","guid":{"rendered":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/?p=784"},"modified":"2026-03-30T09:10:33","modified_gmt":"2026-03-30T12:10:33","slug":"quem-faz-o-spira-arnaldo-candido-junior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/2026\/03\/30\/quem-faz-o-spira-arnaldo-candido-junior\/","title":{"rendered":"Quem faz o SPIRA \u2013 Arnaldo Candido Junior"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste <strong>Quem faz o SPIRA<\/strong>, destacamos nossa entrevista com <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8769928331729891\" data-type=\"link\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/8769928331729891\">Arnaldo Candido Junior<\/a>, um dos nomes centrais do chamado grupo de <em>big data<\/em> do SPIRA-BM. Ao longo da conversa, o pesquisador detalha como \u00e9 atuar como um dos respons\u00e1veis pela dimens\u00e3o de intelig\u00eancia artificial do projeto, explicando o papel estrat\u00e9gico dos modelos computacionais e dos processos de aprendizagem de m\u00e1quina no desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es inovadoras para an\u00e1lise de dados em sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, Arnaldo Candido Junior possui gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o pela Universidade Estadual Paulista J\u00falio de Mesquita Filho (2005), al\u00e9m de mestrado (2008) e doutorado em Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o e Matem\u00e1tica Computacional pelo Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo. Atualmente professor da UNESP, sua trajet\u00f3ria \u00e9 marcada pela atua\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de Linguagens de Programa\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia Artificial, com \u00eanfase em Processamento de L\u00edngua Natural e Processamento da Fala, o que o posiciona como uma pe\u00e7a-chave na articula\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia de dados e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no SPIRA-BM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como se deu a sua entrada no projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Marcelo Finger convidou a professora Sandra Luiso, sendo que ela estendeu o convite para mim. Naquela \u00e9poca eu j\u00e1 trabalhava com processamento de fala e est\u00e1vamos no auge da pandemia. Aquele per\u00edodo, de certa forma, deixou o mundo meio de cabe\u00e7a para baixo, n\u00e9? E n\u00f3s est\u00e1vamos tentando, dentro daquilo que pod\u00edamos tentar ser \u00fatil para a sociedade. Ent\u00e3o, o Marcelo teve uma ideia muito interessante de tentar detectar a COVID pela voz das pessoas. Isso me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Porque voc\u00ea topou participar do projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meu caso, eu trabalho bastante com modelos de aprendizado de m\u00e1quina, em particular, com redes neurais e, ais recentemente, modelos profundos. Por isso, acredito que a minha maior contribui\u00e7\u00e3o para o projeto venha da aplica\u00e7\u00e3o desses modelos, ou seja, criar intelig\u00eancias artificias que consigam analisar os dados e dar uma detec\u00e7\u00e3o positiva ou negativa. Fa\u00e7o parte do chamado grupo big data, que trabalha com essa dimens\u00e3o do SPIRA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Quais foram as suas primeiras a\u00e7\u00f5es como integrante da equipe do big data?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaco, sobretudo, a quest\u00e3o do acesso aos dados que realizamos a partir das nossas coletas. Desde o in\u00edcio, essas capta\u00e7\u00f5es de voz e fala se deram em dois ambientes: nos hospitais (pacientes) e em outros espa\u00e7os como inicialmente a pr\u00f3pria web (grupo controle incialmente convidado a participar enviando a voz via internet). Neste contexto, um dos principais desafios da an\u00e1lise inicial foi trabalhar os \u00e1udios que vinham de diferentes ambientes. Em outras palavras, t\u00ednhamos a preocupa\u00e7\u00e3o de fazer modelos justos que analisassem, de fato, a voz e a fala das pessoas, sem uma interfer\u00eancia negativa do ru\u00eddo ambiente nesse processo. Como os modelos s\u00e3o autom\u00e1ticos esse foi um grande desafio. Chegamos a injetar ru\u00eddo dos hospitais nos \u00e1udios do grupo controle, medida tomada para evitar que o modelo ficasse viciado nos barulhos do ambiente, pois o foco sempre foi a voz e a fala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Na pr\u00e1tica, como funcionam esses modelos do SPIRA-BM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eles s\u00e3o aprendizado de m\u00e1quina, em particular, um tipo especial que \u00e9 chamado de rede neural artificial. Esse tipo de modelo \u00e9 parcialmente inspirado no funcionamento do c\u00e9rebro humano, dos neur\u00f4nios biol\u00f3gicos, mas tamb\u00e9m com algumas importantes diferen\u00e7as. Como todo modelo de aprendizado de m\u00e1quina, ele tem uma caracter\u00edstica interessante: voc\u00ea n\u00e3o precisa programa o modelo para fazer uma tarefa; voc\u00ea apresenta dados para ele e ele se adapta mais ou menos automaticamente ao comando, utilizando os nossos algoritmos de treinamento. Popularmente, dizemos que o modelo aprendeu a fazer aquela tarefa. Os nossos modelos s\u00e3o constru\u00eddos assim: A gente tem uma s\u00e9rie de \u00e1udios de pacientes e do grupo controle. Ent\u00e3o, mostramos um \u00e1udio para o modelo, numa representa\u00e7\u00e3o de que ele consiga entender e process\u00e1-lo. Ent\u00e3o, criamos justamente uma representa\u00e7\u00e3o ideal desses \u00e1udios e o modelo faz uma previs\u00e3o. por exemplo, verdadeiro\/positivo que uma pessoa est\u00e1 com COVID ou falso\/negativo que uma pessoa esteja com essa condi\u00e7\u00e3o. No come\u00e7o, \u00e9 comum que o modelo erre bastante, pois ele vai sendo treinado e se adaptando. Tamb\u00e9m realizamos ajustes conformes os erros do modelo e, assim, suas previs\u00f5es v\u00e3o melhorando e ele se torna cada vez mais preciso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Al\u00e9m do software que utiliza os modelos para analisar os dados, temos ainda um software de coleta da voz e da fala, professor. Como essas duas tecnologias se relacionam no projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, antes de tudo, temos um programa instalado em celulares para coletar \u00e1udios e enviar eles para uma base da dados. Esse software utiliza, sobretudo, t\u00e9cnicas mais tradicionais de programa\u00e7\u00e3o e inform\u00e1tica. Posteriormente, tais dados s\u00e3o processados, gerados no nosso modelo que \u00e9, por sua vez, incorporado num software de detec\u00e7\u00e3o que utiliza intelig\u00eancia artificial, sendo este pensado para futuramente, por exemplo, ajudar um profissional da sa\u00fade a fazer o diagn\u00f3stico da COVID ou de outra condi\u00e7\u00e3o respirat\u00f3ria. Ent\u00e3o, sim, s\u00e3o dois softawares diferentes que se relacionam: um para coletar e outro para detectar. A nossa ideia, vale lembrar, \u00e9 disponibilizar esses modelos para a comunidade de forma gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como que voc\u00eas imaginam que esses modelos de decis\u00e3o, isto \u00e9, um software de detec\u00e7\u00e3o funcione no dia a dia dos centros de sa\u00fade?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, n\u00f3s temos um cuidado para que dentro do poss\u00edvel os modelos sejam leves, com menos processamento, justamente para rodarem em celulares, por exemplo. Mas se ser\u00e1 por dispositivo m\u00f3vel ou por computador, isso tamb\u00e9m depender\u00e1 das necessidades e contextos dos hospitais e cl\u00ednicas. Por isso, lembro que talvez a nossa maior contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja de um software em si, mas de um modelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>De que forma voc\u00ea observa as dimens\u00f5es tem\u00e1ticas do SPIRA-BM com a sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria como pesquisador?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 muitos anos eu trabalho bastante com intelig\u00eancia artificial. Mais recentemente, eu tamb\u00e9m passei a trabalhar um pouco com a quest\u00e3o da linguagem de programa\u00e7\u00e3o. Os meus trabalhos s\u00e3o, ali\u00e1s, muito voltados para o processamento de l\u00edngua natural. A partir ali de 2015, 2016, eu comecei a ficar interessado na parte do processamento da fala, que chamamos de parte baixa da l\u00edngua, aspectos que possuem grande rela\u00e7\u00e3o com o SPIRA-BM.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Quem faz o SPIRA, destacamos nossa entrevista com Arnaldo Candido Junior, um dos nomes centrais do chamado<\/p>","protected":false},"author":1,"featured_media":785,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[31],"tags":[],"post_badge":[],"class_list":["post-784","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"featured_image_urls":{"full":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-scaled.png",2560,1377,false],"thumbnail":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-150x150.png",150,150,true],"medium":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-300x161.png",300,161,true],"medium_large":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-768x413.png",640,344,true],"large":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-1024x551.png",640,344,true],"1536x1536":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-1536x826.png",1536,826,true],"2048x2048":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-2048x1102.png",2048,1102,true],"trp-custom-language-flag":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-18x10.png",18,10,true],"morenews-featured":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-1024x551.png",1024,551,true],"morenews-large":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-825x575.png",825,575,true],"morenews-medium":["https:\/\/spira.ime.usp.br\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/DIMIIII-590x410.png",590,410,true]},"author_info":{"info":["spira.bm"]},"category_info":"<a href=\"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/category\/noticia\/\" rel=\"category tag\">Not\u00edcia<\/a>","tag_info":"Not\u00edcia","comment_count":"0","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=784"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":787,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/784\/revisions\/787"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=784"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=784"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=784"},{"taxonomy":"post_badge","embeddable":true,"href":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/post_badge?post=784"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}