{"id":845,"date":"2026-04-30T11:01:37","date_gmt":"2026-04-30T14:01:37","guid":{"rendered":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/?p=845"},"modified":"2026-04-30T11:01:38","modified_gmt":"2026-04-30T14:01:38","slug":"quem-faz-o-spira-beatriz-raposo-de-medeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/spira.ime.usp.br\/en\/2026\/04\/30\/quem-faz-o-spira-beatriz-raposo-de-medeiros\/","title":{"rendered":"Quem faz o SPIRA \u2014 Beatriz Raposo de Medeiros"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, o <em>Quem faz o SPIRA<\/em> \u00e9 com Beatriz Raposo de Medeiros. Professora associada da Universidade de S\u00e3o Paulo desde agosto de 2021, ela iniciou sua trajet\u00f3ria docente na institui\u00e7\u00e3o ainda em fevereiro de 2003. Com ampla experi\u00eancia na \u00e1rea de Lingu\u00edstica, atua principalmente nos campos da fon\u00e9tica, fonologia, linguagem, fala e canto, consolidando uma carreira marcada pelo rigor anal\u00edtico e pela articula\u00e7\u00e3o entre diferentes dimens\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o vocal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da entrevista, Beatriz evidencia como sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica se conecta ao SPIRA-BM, especialmente a partir de sua expertise em an\u00e1lise ac\u00fastica da fala. Seu trabalho de pesquisa se organiza em duas vertentes principais: de um lado, as rela\u00e7\u00f5es entre fala e canto, explorando como aspectos lingu\u00edsticos interagem com a m\u00fasica; de outro, o interesse em compreender fen\u00f4menos lingu\u00edsticos \u00e0 luz de uma teoria fonol\u00f3gica din\u00e2mica. Essas perspectivas aparecem na conversa ao destacar a import\u00e2ncia de metodologias precisas, da diversidade dos dados de voz e da busca por an\u00e1lises que capturem a complexidade da fala em contextos mais naturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para come\u00e7ar, professora, queria que voc\u00ea explicasse como se deu a sua entrada no SPIRA-BM, desde o ano em que isso aconteceu e como foi esse primeiro contato.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bom, eu sou a Beatriz Raposo, professora de Fon\u00e9tica na Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP. O meu primeiro contato com o SPIRA-BM aconteceu durante a pandemia, em 2020, quando est\u00e1vamos todos trabalhando de forma remota. Naquele per\u00edodo, houve uma iniciativa do professor Marcelo Finger de apresentar o projeto em uma programa\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lingu\u00edstica, dentro do Abralin Ao Vivo. Eram v\u00e1rias palestras por dia, e uma delas tratava justamente do projeto, que j\u00e1 buscava identificar biomarcadores na voz e na fala, inicialmente com foco na COVID-19. Eu estava acompanhando a apresenta\u00e7\u00e3o e, no momento das perguntas, fiz algumas quest\u00f5es mais espec\u00edficas sobre voz e fala, que s\u00e3o a minha \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o. A professora Flaviane, que j\u00e1 participava do projeto, estava presente. No dia seguinte, ela entrou em contato comigo e me convidou para integrar a equipe. Eu aceitei, pois entendi que poderia contribuir com a parte de fon\u00e9tica, enquanto ela j\u00e1 atuava na fonologia. Tamb\u00e9m sugeri a participa\u00e7\u00e3o de uma fonoaudi\u00f3loga, a professora Larissa Berti, da UNESP, que trabalha na interface entre Fonoaudiologia e Lingu\u00edstica. Esse foi o in\u00edcio da minha participa\u00e7\u00e3o, ainda antes de o projeto se tornar tem\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No in\u00edcio do projeto, ainda durante a pandemia, quais foram as suas primeiras a\u00e7\u00f5es como pesquisadora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No come\u00e7o, minha principal preocupa\u00e7\u00e3o foi com o desenvolvimento do software de coleta de dados de voz. Embora eu n\u00e3o trabalhe diretamente com programa\u00e7\u00e3o, existe uma etapa fundamental anterior, que envolve o desenho experimental. Linguistas e fonoaudi\u00f3logos t\u00eam experi\u00eancia tanto na coleta de dados de \u00e1udio quanto na elabora\u00e7\u00e3o de experimentos \u2014 ou seja, em como apresentar tarefas aos participantes e que tipo de resposta queremos obter. Minha preocupa\u00e7\u00e3o era que o software fosse amig\u00e1vel e permitisse a produ\u00e7\u00e3o da fala da forma mais adequada poss\u00edvel. Nesse contexto, sugeri a inclus\u00e3o de parlendas ou frases memorizadas. Isso porque existem diferentes tipos de coleta: emiss\u00e3o sustentada de vogais, leitura de frases e fala mais espont\u00e2nea. A parlenda ocupa um lugar intermedi\u00e1rio, pois \u00e9 memorizada, mas n\u00e3o depende da leitura. Um exemplo foi a parlenda \u201cBatatinha quando nasce\u201d, escolhida por ser bastante conhecida. A ideia era estimular uma fala mais natural, sem a interfer\u00eancia da leitura, que pode induzir pausas e alterar a pros\u00f3dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E como essa proposta da parlenda funcionou na pr\u00e1tica durante a coleta de dados?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, surgiram situa\u00e7\u00f5es interessantes. Algumas pessoas cantavam m\u00fasicas, como \u201cAtirei o pau no gato\u201d, ou recitavam ora\u00e7\u00f5es. Isso gerou uma diversidade de dados que n\u00e3o estava totalmente prevista. Para alguns pesquisadores, isso foi visto como um problema, porque dificultava a padroniza\u00e7\u00e3o. Em alguns casos, a coleta de parlendas foi at\u00e9 interrompida. Mas eu considero essa diversidade muito rica, porque amplia as possibilidades de an\u00e1lise da fala em condi\u00e7\u00f5es mais espont\u00e2neas. Sempre defendi que, se a pessoa n\u00e3o lembrasse exatamente da parlenda, poderia receber um est\u00edmulo inicial \u2014 como \u201cbatatinha\u201d \u2014 e continuar a partir da\u00ed, sem necessidade de corre\u00e7\u00e3o. O objetivo n\u00e3o \u00e9 padronizar totalmente, mas observar a fala em condi\u00e7\u00f5es mais naturais. Tamb\u00e9m houve discuss\u00f5es sobre o uso de apoio visual, como placas com frases. No caso das frases, a leitura \u00e9 esperada. Mas, no caso das parlendas, o ideal \u00e9 justamente evitar a leitura, para n\u00e3o interferir na naturalidade da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Atualmente, quais s\u00e3o as suas principais preocupa\u00e7\u00f5es dentro do SPIRA-BM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minhas preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e3o em diferentes n\u00edveis. A primeira \u00e9 garantir uma boa an\u00e1lise ac\u00fastica dos dados. Trabalhamos com softwares espec\u00edficos, como o Praat, que \u00e9 amplamente utilizado na \u00e1rea de fon\u00e9tica. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio conhecimento t\u00e9cnico consistente. Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 trazer para o projeto o rigor metodol\u00f3gico que desenvolvemos na pesquisa e no ensino de fon\u00e9tica. Isso envolve o uso adequado das ferramentas e das configura\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise. Outra preocupa\u00e7\u00e3o importante \u00e9 a parlenda. J\u00e1 temos diversos estudos publicados sobre biomarcadores a partir da fala lida, mas ainda n\u00e3o exploramos suficientemente os dados de fala mais espont\u00e2nea. Para mim, esse \u00e9 um dos principais desafios atuais. Tamb\u00e9m estou envolvida na orienta\u00e7\u00e3o de uma aluna de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que pretende trabalhar com an\u00e1lise de qualidade de voz. Estamos utilizando softwares espec\u00edficos que medem par\u00e2metros como frequ\u00eancia fundamental e caracter\u00edsticas vocais, como soprosidade e crepita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pensando em publica\u00e7\u00f5es, h\u00e1 perspectiva de estudos focados na parlenda? Como isso deve se organizar dentro do projeto?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, h\u00e1 essa perspectiva. \u00c0 medida que avan\u00e7armos nas an\u00e1lises de qualidade de voz, ser\u00e1 poss\u00edvel desenvolver estudos espec\u00edficos com foco nesses dados mais variados. Essas publica\u00e7\u00f5es devem ocorrer de forma colaborativa, envolvendo pesquisadores da Lingu\u00edstica, da Fonoaudiologia e tamb\u00e9m da \u00e1rea da Sa\u00fade, como os grupos ligados ao Hospital das Cl\u00ednicas. O projeto \u00e9 estruturado em diferentes frentes, e as publica\u00e7\u00f5es refletem essa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Esses estudos podem ser publicados em diferentes \u00e1reas? Como voc\u00eas definem os peri\u00f3dicos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje h\u00e1 muitos peri\u00f3dicos interdisciplinares, o que facilita bastante. Estudos sobre qualidade de voz interessam tanto \u00e0 Lingu\u00edstica quanto \u00e0 Fonoaudiologia. Na Lingu\u00edstica, podemos citar peri\u00f3dicos como o <em>Journal of Phonetics<\/em> e o <em>Journal of the Acoustical Society of America<\/em>. Na Fonoaudiologia, h\u00e1 o <em>Journal of Voice<\/em>. J\u00e1 na \u00e1rea m\u00e9dica, especialmente por conta dos biomarcadores, tamb\u00e9m h\u00e1 espa\u00e7o em revistas interdisciplinares. A escolha depende do enfoque do artigo, mas o car\u00e1ter interdisciplinar do SPIRA-BM amplia bastante as possibilidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como a sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica se relaciona com o SPIRA-BM?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minha rela\u00e7\u00e3o com o projeto se d\u00e1 principalmente pela minha forma\u00e7\u00e3o como foneticista. A an\u00e1lise ac\u00fastica da fala \u00e9 uma das habilidades centrais da \u00e1rea. No entanto, minha linha de pesquisa n\u00e3o \u00e9 diretamente voltada para biomarcadores ou voz patol\u00f3gica. Eu trabalho mais com rela\u00e7\u00f5es entre fala e canto, al\u00e9m de temas como pros\u00f3dia. A pros\u00f3dia, inclusive, tem rela\u00e7\u00e3o com a qualidade de voz, o que aproxima minhas pesquisas do projeto. Coordeno tamb\u00e9m um grupo de estudos em fon\u00e9tica, no qual os alunos desenvolvem temas diversos, como sincroniza\u00e7\u00e3o da fala, l\u00ednguas assobiadas, vocalismo na can\u00e7\u00e3o e voz na dublagem. Recentemente, uma aluna passou a se interessar diretamente pela quest\u00e3o dos biomarcadores, o que mostra como o projeto tamb\u00e9m tem potencial para abrir novas frentes de pesquisa dentro da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, o Quem faz o SPIRA \u00e9 com Beatriz Raposo de Medeiros. 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